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A McLaren recuou 60 anos no tempo e mudou o logótipo

Autor auto.pub | Publicado em: 23.09.2026

A McLaren atualizou o seu logótipo, mas, em vez de seguir a fórmula habitual dos construtores automóveis e se limitar a torná-lo mais fino e aborrecido, foi buscar a nova tipografia a uma época em que a McLaren Automotive ainda não existia: a inspiração veio do letreiro da estação de serviço dos pais de Bruce McLaren, na Nova Zelândia.

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A mudança abrange tanto a McLaren Automotive como a McLaren Racing e assinala uma reestruturação muito mais ampla. A McLaren está a expandir a sua gama de modelos, vai começar a desenvolver e produzir os seus próprios grupos motopropulsores e prepara-se finalmente para fazer aquilo que, mais cedo ou mais tarde, os fabricantes de superdesportivos acabam invariavelmente por fazer: construir um SUV.

O novo logótipo é, na verdade, antigo

A nova assinatura gráfica da McLaren teve como base o letreiro da estação de serviço de Les e Ruth McLaren, no bairro de Remuera, em Auckland. Foi ali que o filho de ambos, Bruce McLaren, construiu o automóvel com o qual alcançou a sua primeira vitória em competição.

O pormenor mais marcante é o “c” elevado, com uma linha por baixo. Para a nova identidade, a McLaren também desenvolveu um tipo de letra próprio, denominado McLaren Sans.

O atual Speedmark, o conhecido emblema curvo junto ao nome, não vai desaparecer. A McLaren também manterá o histórico símbolo Speedy Kiwi e a cor papaia das suas equipas de competição. Nos automóveis de estrada, ganhará maior destaque o Midnight, um azul-escuro. O objetivo é uniformizar a linguagem visual da Racing e da Automotive, que até agora têm operado de forma algo separada. As empresas continuarão a ser negócios distintos, mas, no futuro, os clientes deverão encarar a McLaren cada vez mais como uma só McLaren.

O logótipo chega no momento certo, porque a própria McLaren atravessa mudanças muito maiores

Se tudo se resumisse a um novo tipo de letra, dificilmente mereceria tanta atenção. No entanto, a McLaren Automotive atravessa uma das maiores transformações da sua história. O novo proprietário da empresa está a financiar um programa de investimento de £500 milhões, cerca de €575 milhões, no Reino Unido. A McLaren está a ampliar a produção em Woking, a duplicar a capacidade da sua fábrica de compósitos de fibra de carbono em Sheffield e a construir uma nova unidade de montagem de veículos. Até 2032, prevê-se que a empresa crie pelo menos 1.000 novos postos de trabalho.

Ainda mais importante é a mudança técnica. No futuro, a McLaren desenvolverá e produzirá os seus grupos motopropulsores inteiramente por conta própria. Até agora, por exemplo, a Ricardo tem sido responsável pela produção dos motores V8 da McLaren.

O plano de desenvolvimento já confirmou dois novos grupos motopropulsores híbridos e respetivas caixas de velocidades. Um deles está associado ao conceito McL 6GT, no qual a McLaren apresentou um V8 híbrido com caixa manual de seis velocidades.

E, claro, vem aí um SUV

A maior mudança, contudo, será o primeiro SUV da McLaren. A empresa confirmou que o modelo chegará ao mercado antes do final da década. A McLaren pretende utilizar uma estrutura em fibra de carbono e um grupo motopropulsor híbrido, prometendo manter a baixa relação peso/potência característica da marca. Isso coloca o automóvel no mesmo patamar do Lamborghini Urus e do Aston Martin DBX.

Durante anos, a McLaren rejeitou a ideia de um SUV. Mas a Ferrari vende o Purosangue, o Lamborghini Urus tornou-se uma das principais fontes de receitas da marca e a Aston Martin precisa, na prática, do DBX para sobreviver. A par das leis da física, também as leis da economia têm o desagradável hábito de se aplicar a todos.

É por isso que o novo logótipo é, na verdade, um símbolo adequado. No seu design, a McLaren olha para trás, para a pequena oficina de Bruce McLaren na Nova Zelândia, enquanto a própria empresa se prepara para se tornar maior, mais abrangente e muito menos dedicada em exclusivo ao fabrico de superdesportivos de dois lugares.


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